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sábado, 9 de maio de 2009

Bianca

Venha! Corra! Entrelaça suas mãos nas minhas pois meu coração que palpita na dança dos ventos em direção ao sul. Encosta tua face em minha pele para que possamos sentir a força da natureza a favor de nossa união. Juntos.Sem outros corpos, histórias ou sofrimentos. Dessenhei por longas estradas um amor incapaz de me completar.Infeliz destino que conspirou contra nossa felicidade, mas eu hoje eu irei mostrar-lhe que nem só de pó é feito o homem. Através de lembranças que desencadearão vidas, irei contar-lhe sobre o que aperta o meu coração:
Nas tardes em que eu costumava passear pela aldeia.Com um graveto na mão seguia fazendo marcas no gelo, distraída com toda aquela situação. Sem me importar se o inverno iria ser mais rigoroso ou não. Pessoas tratavam de negócios, outras guardavam seus animais. Levantei meu rosto para observar aquela situação com mais detalhe, não esperando encontrar nada além do que já havia visto durante tantos anos. Continuei andando. Alguém surge avisando que meu pai me aguardava. Tudo como o previsto, nada além da rotina. Voltei para casa ainda arrastando o graveto. Provavelmente seria mais algum jantar para escolher o meu marido, ou quem sabe alguém para concretizar, sentindo uma imensa angústia eu seguia meus dias. Distraída com o tempo, alguém com uma carroça desgovernada atropela-me.Pronto, algo totalmente inusitado, seja lá quem for se não causou grandes danos merece meus cumprimentos, por fazer modificar parte daminha trajetória. Caí.
- Tu está bem?- Disse alguém estendendo a mão.
Segurei-a e completei.
- Bem não, estou ótima.!-Limpando a neve que ficara presa em minhas vestes.
- Algo novo pra quebrar com essa vida tão chata.
- Que bom! Fiquei preocupado, nunca me aconteceu isso antes. Esses cavalos, ficaram agitados de repente.
- Tenho que ir, ainda preciso visitar mais um cliente.

Imediatamente surge Lourdes:
- Bianca! Está machucada, o que aconteceu,você está bem ?
- Estou sim. De onde foi que tu surgiu?
- Estava comprando algumas coisas para o almoço aqui perto, escutei o estrondo e vim ver o que havia acontecido. Está bem ?
- Estou sim...Pelo menos algo diferente aconteceu nessa aldeia chata.
- Nem quero comentar sobre o tédio.
- Meu pai me chamou, tenho que ir imediatamente, esqueci completamente com esse episódio !
- Irei contigo, me aguarde um instante!
- Pronto! Vamos?!
- Sabe..., ele tinha olhos tão bonitos.
- Bianca, Bianca... Sinto que alguém foi alvo das flechadas!
- Que flechadas menina, só comentei dos olhos...
- E o que vocês conversaram ?
- Nada de mais...
- Não quero me casar com qualquer um, queria poder escolher meu noivo...
- Eu também, mas não podemos fazer muita coisa...
- Infelizmente...
- Chegamos, quer entrar Lourdes?
- E precisa perguntar amiga? Ainda quero saber o que se passa em sua mente!
As duas entraram dentro de casa sorridentes...

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

O Banqueiro

Em uma noite fria e nublada Ramon seguia sua partida em busca de novas terras, ele um jovem de 24 anos membro de uma das famílias mais nobres da Espanha, estava falido como outros amigos companheiros de aventuras. Vivendo sempre no luxo aproveitando o que havia de melhor, encontrava-se perdido por tantas dívidas que contraíra, vira morrer algum de seus colegas devido a contratos não pagos, temendo sua morte, Ramon decidiu viajar em busca de chances para recuperar sua fortuna. Não era uma tarefa fácil, ele sabia muito bem, mas nada é impossível principalmente para a mente de um jovem. Levando algumas provisões, um pouco de moedas que ainda lhe restava e seu fiel companheiro Martins, seguiu montado em Artes, um dos poucos cavalos que lhe restára, porém o melhor.
Já haviam passado 3 dias e duas noites cavalgando com quase nada de descanço, desejavam ir até a França, pois lá possuía a família materna e uma de suas tias sabendo da sua situação resolveu ajudar. A tia morava na cidade, Anne era o seu nome, não possuía o feudo imenso que o seu pai possuíra, era uma senhora de meia idade, não havia se casado e ficou com o pouco da fortuna que restou do seu avô após o falecimento do mesmo.
Ramon chegou na casa da tia totalmente exausto e faminto na casa da tia, e Martins não ficava pra trás. Anne correu para ajudá-los, chamando e ordenando comandos a algumas de suas criadas.
- Queridos venham, estão muito cansados ! - disse ela olhando para a péssima aparência de ramon -Anastácia, leve-os contigo e chame as outras meninas para auxiliá-la!
Depois de todos os cuidados eles foram levados aos aposentos, só acordaram no outro dia já recuperados da longa jornada.
Ramon levantou-se mais tarde do que o de costume, não se lembrava de muita coisa, pois havia muito tempo que havia ido na casa de Anne. Abriu a porta e olhou para os lados para ver quem aparecia, apesar de não ter se casado, sua tia soube muito bem contornar toda a situação, e contruiu algumas coisas, aumentando a sua riqueza. Morava na cidade pois facilitava os negócios, já que não precisaria deslocar-se constantemente.
- Ramon ?! - Era Martins.
- Olá, que horas são?
- Meio dia, sua tia te espera, quer conversar logo sobre os negócios.
Ele ficou um pouco espantado, pois achou que a tia fosse demorar um pouco para tocar no assunto, voltando-se para Martins disse para esperá-lo, pois imediatamente estaria pronto.
-Vamos?
-Sim.
A casa era realmente interessante, até então ele não sabia o que sua tia queria, tinha apenas a noção de que era uma boa oferta. Martins o guiou até o escritório onde Anne se encontrava. Apesar da idade era ainda uma mulher muito atraente, Ramon não entendia o motivo de não ter se casado e parecendo adivinhar o seu pensamento completou.
- A falta de princípios e regras para com o casamento e a vida, foi um dos motivos pelo qual evitei me casar. E olha só, hoje vários homens que duvidaram da minha habilidade com os negócios estão querendo auxílio, mas não é de forma fácil que irei lhes ajudar. E é aí que você entra.
Ramon apesar de não compreender perfeitamente a meta da sua tia, começou a se interessar com a oportunidade.
- Há muitos comerciantes falidos que vem pedir empréstimos, porém nem todos conseguem pagar, e acabam perdendo alguns bens que contabilizados valem o mesmo ou até mais do que eles pediram. Sua função daqui por diante será essa, como já estou cansada e alguns deles fogem tu se encarregarar de cobrir a oferta, mandar homens buscá-los ou até mesmo tu, e trazer de volta os bens, 30% será seu.
A tia percebeu o brilho nos olhos do sobrinho, e sabia que ele gostara do trato.
-De acordo?- disse Anne estendendo a mão.
- Sim- pensou por alguns instantes e continuou- 30 % não é pouco minha tia?- Indagou o jovem rapaz.
Com um leve sorriso nos lábios a tia respondeu.
- Tu não sabes de quanto estamos falando meu querido, por tanto eu aceitaria de bom agrado esse cargo, até por que tu não tem nada a perder.
Estendendo a mão Ramon aceitou a proposta. A tia lhe deu as primeiras coordenadas e o jovem saiu da sala com ar triunfante. Martins o esperava na porta da sala.
- Vamos parceiro, temos muito o que fazer.
E Martins seguiu atrás deles tentando acompanhar os teus passos.
Continua . . .