terça-feira, 20 de dezembro de 2016

(...) que pelo menos tenha sido em busca do amor!



Catrina estava ainda sonolenta, meu senhor, ela olhava para o teto agraciando-se com o movimento das suas mãos que tentavam acompanhar alguma música infantil que se instalara subitamente em sua mente contaminada pelo efeito do álcool.

Ela ainda era jovem, nobre colega, não havia muitas marcas peculiares do tempo em seu corpo, entretanto, em sua alma que outrora fora doce e frágil, cultivava raízes de lamentações provenientes dos momentos tortuosos que a vida ajudou a compor.

Diante das inúmeras paixões fugazes que arrancam as carnes do seu âmago e dilaceram sua alma, Catrina havia criado uma zona de romances etéreos. Entretanto, existia alguns questionamentos:  Há algum modo de se fazer presente na vida do outro ante a ausência de sentimentos?! E, talvez, elevar a um status surreal o seu próprio existir?!

Catrina acreditava que sim e, por isso, tentava esquivar-se das novas nuances do mundo.

Mas em cada esquina há maquiagens borradas e corações vazios. Sem amor, ou afeto. A carícia por vezes mais soa falsa do que verdadeira. Sendo mais uma noite tão esquecida quanto qualquer aceno perdido entre demais gestos.

Por todo sentimento depositado nas paixões escarlates, nos amores derramados e extasiados em si mesmo. Pelos hinos e canções apaixonadas, da sensação de regresso e repentina.  Catrina derramou a sua bebida nos escombros e destroços desse plácido momento que se foi antes do prenúncio e disse para si:

“Pelo amor e por amor! E mesmo que o amor não exista que pelo menos tenha sido em busca dele.”

Catrina então voltou a dormir, Senhor. E parece que havia um sorriso ilógico entre seus lábios. 

sábado, 25 de junho de 2016

Felicidade Engarrafada



O gosto de sangue impregnado em sua boca misturava-se com o suor que escorria ininterruptamente pelo seu rosto. As marcas apresentadas após a sua tentativa pífia de se fazer humana, por vezes, acarretavam apenas algumas cicatrizes pelo corpo.

Para tanto, equipava-se do mais nobre sentimento de realização ao disparar e proferir contra si mesma as mais algozes técnicas de tortura. O sentimento de insipiência a partir de tal circunstância se esvaia. Sentia-se, então, coberta por um manto de liberdade.

A cortina desse insólito teatro não possui momento certo para acontecer ou terminar. As intermináveis tentativas de compreensão existencial vão além do que nossa nobre protagonista pode supor. 

Para ela o ser e o sentir são considerados o ápice do seu conceito de vida, quase uma Hamlet contemporânea.Vivendo na dualidade entre o ser e o dever ser. As peças dificilmente se completam de modo harmônico.

O contexto no qual vivemos, década de 10 - século XXI, não é favorável à respostas concretas, sapiência ou para a coerência. A loucura proveniente dos atos reflete todas as dores e tentativas esparsas pelo mundo. O superficial e consumismo enraizado em todos os setores sociais, encontram-se em uma ausência diálogo sem cerimônia com a real finalidade sobre o que é 'ser humano'.

Músicas, comerciais de TV, arte... Absolutamente nos transformam em algo que não sabemos até que ponto somos influenciáveis. O limite entre o ser e o ter. A partir de tal pressuposto posso, até, compreender a nossa personagem que vive no liame da sua intrínseca necessidade de sentir, ser. Um sufoco preso dentro de si.

Então, com a mão direita limpou suavemente o sangue próximo aos seus lábios. Secou o suor da sua face com uma toalha branca que, imediatamente, recebeu resquícios da coloração escarlate. Encostada em seu carro em meio ao nada, sorriu de si mesma. Sorriu a respeito da vida. Procurou em seu cooler algo para beber e, após uns goles de cerveja da marca felicidade engarrafada, sentiu-se plena.


quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Da insuficiência do amor nas palavras galantes do dia-a-dia




A verdade nunca nos fora disposta de maneira óbvia por inúmeros motivos, entretanto, o sabor e a lógica preexistente na ansiedade ou inércia dos movimentos, por vezes, nos levam a uma contemplação única ou o simples distanciamento do que deva ser a vida.
Essa tênue linha, do que poderia ser e o que efetivamente é, compromete qualquer tipo de embasamento célere e uma possível reorganização dos pensamentos e sentimentos que são extraviados de algum embarque súbito. Dito isso, ante ao título criado de forma proposital e sem lógica alguma, questiono-me a respeito da falta de sinceridade que envolve o cotidiano. Posso, inclusive, ter argumentações drásticas quanto ao sentimento alheio ou, simplesmente, embutir-lhes  características próprias. Que seja. O amor deveria ser suficiente em si mesmo.

domingo, 24 de janeiro de 2016

Sobre o amar n°1


~~~~~~Descendo lentamente as escadas, ao toque suave do seus pés no chão, inebriando o ar com o aroma que exala do seu corpo. Registro que o toque suave das suas mãos pelo corrimão guardam a lembrança das suas digitais. O sorriso quente e doce em seu rosto que no mexer dos seus lábios emitem um singelo "oi", e na sequencia do seu caminho que, pelo corredor estreito, segue até tornar uma sombra perdida entre as outras pessoas.
~~~~~~Meu coração acelera e eu sinto a secura da minha boca ao apenas responder ao seu gesto de cumprimento com um sorriso trêmulo e desajeito. Que esse hábito estranho já se torna uma rotina matinal. O café quente que antes era uma necessidade, tornou-se uma desculpa para que eu virasse um mero coadjuvante. 
~~~~~~E o início dessa história vocês nem sabem ao certo. Mas tudo começou apenas com um gesto corriqueiro para buscar alguns papéis esquecidos do setor e uma pausa para as confissões entre colegas e no meio de uma conversa e outra xerox, ouço alguém perguntar "Já terminaram?" E de repente, foi o suficiente. 

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Do sentimento de impotência.



             Ela corria...
           Corria o mais rápido que suas pernas podiam alcançar, entre os becos e vielas escuras da sua cidade. Com o seu sapato plataforma que fazia ploc, ploc por onde passava, apenas seguia. Seguia entre ladeiras e buracos. Seguia com sua respiração abafada, sua pele suada, seu corpo trêmulo. O sangue que pulsava. O vento seco que adentrava os becos parecia sugar o seu corpo para longe... Longe do seu destino. E o cabelo...?! Cabelo esse que insistia grudar em seu rosto, colar em sua pele e tapar a sua visão, revelando-se como o que havia de mais comprometedor à sua existência. 
            Entretanto, mesmo com tais impasses, continuava a correr, ainda que acreditada na solução. Achava-se no limite e não aparecia alguém para ajudar, ou uma alma que ouvisse o seu grito seco, miúdo, apagado. 
              Corria avante e sem esperança, dobrando cada rua que aparecesse à sua frente, segurando os seios que atrapalhavam os seus anseios. E, no intuito de provocar a leveza desejada, colocou a chave no bolso e com a força que lhe cabia, jogou a sua bolsa em alguma casa que apareceu no decorrer do caminho. Apenas corria e corria. Do sufoco, do desgosto, do gosto de sangue que já brotava em sua garganta. Seca. Seca... Tal como a sua vibração perante a vida naquele instante. Dentro do vazio sem fim, dos pensamentos a mil e das lágrimas  indesejosas que teimavam em brotar no seu rosto. Esse misto de loucura, com o desejo de desaparecimento. Parecia não mais sonhar. Queria apenas não existir, não ter passado por aquele caminho. Não ser quem era.
               Só que, como um sonar marítimo, representando os seus mais escondidos instintos. Viu, de repente, de relance. Algo que lhe causou imenso alívio. Entre as casas da rua que percorria havia uma luz acessa. Um portão aberto, com uma família retornando para a sua casa. Sendo assim, em meio a um ímpeto bateu-se contra o carro, o que provocou grande espanto dos moradores. Sentiram-se ameaçados por um momento, mas vendo aquela figura entre lágrimas, sentiram complacência. O que a permitiu dizer poucas palavras e elas quase não saíam,... Mas que possuíam um quê de esperança:

                - Por favor, senhora, deixe-me entrar...

            Em prantos, aos nervos e tremendo. Do sufoco passado. Da pressa. Da pressa. Do choque. Permanecia estática no sofá daquela casa. Olhando o nada. A sensação - não sensação, do desespero passado, da ligação para a polícia e das suas palavras quase indecifráveis. Não queria lembrar, não conseguia e nem queria imaginar que tivesse acontecido algo do tipo consigo. Padeceu.
                Com a ajuda da família, retornou à sua casa e, entre passos mansos e cansados, finalmente estava em seu lar. Colocou sua chave na mesa e em seu caminhar lento e seco dirigiu-se ao banheiro. Onde, em meio a esse turbilhão de pensamentos e sentimentos, após o banho tomado, que alternava constantemente entre o quente e frio da água. Da pele que não queria sentir-perder o tato. Brotou em seu corpo algo que reacendeu o seu desgosto o que fez com que, depois de ter lavado o seu cabelo, fosse ao espelho e retirasse o que havia de mais inconveniente. 
               Depois de ter retirado o que lhe havia de estético, o que era considerado como a moldura da face, colocou as suas mãos sobre a sua cabeça e, deslizando na parede do cômodo, em meio aos cabelos espalhados no chão e as pensamentos que focavam a respeito de tudo o que lhe havia acontecido, acendeu um cigarro.
                Ainda trêmula, com a boca seca e em meio a fumaça criada, tragou insistentemente para, finalmente, sumir.

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

E do leite derramado.



E do leite derramado. 

Acuda! Acuda! Mais um bebê sem ter o comer. Sem o ventre querido para aquecer. Sem os braços quentes para ninar. E do sopro sutil se ouvem as misérias. Dos buracos feitos pela dor. Do retrato feliz espedaçado no chão. E o choro que se vê na madrugada. Um choro latente, quente, quente. Dói o coração. Enfia o bico no menino. Limpa o catarro com a mão. Acende uma vela para o santo. E chora. Chora. Em mais uma oração. Rebento perdido na vida. Sem uma ninhada. Sem comoção. Ecos miseráveis. E a tia põe a água no forno. É como se fosse a mãe. Mistura com o que sobrou do leite anterior. É mais barato. Dura uma semana.  Ele não vai perceber. Ele não vai sentir. Quem mandou não ter leite. Acuda. Acuda. Chama a Sissa para segurar o menino. 

E no monólogo noturno:  Que eu não queria uma vida dessa p'a os meu fio de coração. Eu não queria. Botar esse leite pru menino tomar. Vai tomar todo. Que é bom para disfarçar. Amanhã vou fazer faxina. Pegar uns trocados pra comprar o leite e o feijão. Espero que Sissa cuide bem do menino. Um dia hei de ter emprego. 


E era quase um rato. Pequeno. Que de tanta fome não chorava. Resquícios da miséria materna. Acudido pela tia. Do amor nocivo. Nasceu quase pedinte. Mais um estranho esquecido. Um choro que não mente. Acuda! Acuda! Que a mãe já não respira. Que o sonho contamina. Quem não consegue sobreviver nessa vida. Que era quase cinco e a mãe sangrava. Sangrava. Assassinada às quatro. Esquecida na vida.


Ainda pouco se sobra. 

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Desapego



Vais-te...
Além do que pretendia
No corredor estreito que deu à vida

Vais-te...
Distanciando-se de tudo e sussurrando
Entre os cantos que se apruma
Sentindo o peso do mundo 

Vai-te!
Mas não te vás em lágrimas
Apenas se desfaça
Desse adeus estacionado
Apertado e seco 

E não penses

Por onde anda o afeto antigo?
Dos olhares antes trocados
Que serviam como o espelho
Repleto de conforto

Vai-te!
Desaninhando-se do colo
Destituindo-se de todo o sentimento
Em apenas um ponto para desligar os sentidos
Com um pequeno e leve suspiro
Para, finalmente,
Ir




domingo, 16 de agosto de 2015

Aline e a sua forma de amar.




Henri de Toulouse-Lautrec: The Bed, 1897.


                     Já era uma da madruga e Aline percorria pelas ruas da cidade procurando por alguém que pudesse pagar por horas de amor vazio com o seu corpo. Impossível suspirar ternura em seus dias atuais. Só restava, então, seguir pelas linhas dos seus instintos primitivos na busca de algo que completasse a sua essência. 
               Diante de tal impasse ela pediu ao primeiro que passou, em um gesto singelo, acender o seu cigarro e, com o seu famoso olhar promíscuo e a boca recheada de um batom vermelho barato, lançou-lhe as mais diferentes propostas. Não contente, ainda ofereceu o preço do seu amor com algum desconto na intenção de lucrar algo no dia. Conseguiu. 
                 Usando uma saia látex, decote vertiginoso e salto alto enlaçou-se ao mais novo parceiro e seguiu para o hotel mais próximo do seu ambiente de trabalho. O cheiro de mijo impregnado nas ruas se misturava com seu perfume francês e ao sabor da pastilha de hortelã que casualmente ganhara. Aline estava pronta para se entregar, render-se a mais uma nova-velha sensação. Não havia como parar, seu ofício lhe aprazia e a moral inconveniente desaparecia principalmente quando recebia o valor combinado.
               Se o fim justifica o meio, para ela tudo se encaixava como o resultado de uma cálculo matemático simples. Sem rodeios. Apenas como um método. Não importa se era, para o seu parceiro: Ana, Jéssica, Alice... O que importava era a fantasia vivida como forma de dissipar uma possível angústia ao sentir algum corpo vivo perto do seu. Com o intuito de não se perder em pensamentos considerados vulgares, ela tomava um gole de vodca e retocava o batom toda vez que isso acontecia. 
                  Aline ainda não sabia se o amor ou a vida eram apropriados para si. Simplesmente desejosa de se encontrar ou encontrar um mundo melhor apelou pelos meios mais práticos de saciar seus anseios. Não importava quantas palavras lhe cuspissem ou o quanto de dinheiro recebia ou deixava de receber, só pararia quando encontrasse alguma resposta para o que não se completava como um mero cálculo matemático.


domingo, 19 de julho de 2015

Conto: Rotina Matinal.



      Limpou o rosto na tentativa de retirar os resíduos do dia anterior. Nesse breve instante colocou as mãos na pia do banheiro com o intuito de melhorar a sua disposição, pois, sua mente parecia esmaecer. Pensamentos após tal ação começaram a borbulhar e o mais persistente foi: O que eu fiz comigo mesma? Bem... Isso já não era mais importante tendo em vista a necessidade da meta diária ser cumprida. 

Segunda: Chegar ao trabalho, fazer o serviço e voltar para casa
Terça: Chegar ao trabalho, fazer o serviço e voltar para casa
Quarta: Chegar ao trabalho, fazer o serviço e voltar para casa
Quinta: Chegar ao trabalho, fazer o serviço e voltar para casa
Sexta: Chegar ao trabalho, fazer o serviço e voltar para casa   

      Para a realização de tal feito Gabriela compôs sistematicamente algumas etapas a serem cumpridas diariamente. Embora os seus desejos e pensamentos variassem conforme o humor, mantinha a rotina e suas etapas com bastante afinco. Sua mente, apesar de jovem, falhava e já não abria brechas para os sonhos antigos, a roda da vida girava, girava e continuava girando. 
      Ainda no banheiro, em frente aquele reflexo desconhecido, notou pequenas marcas que anteontem não existiam. E, nessa análise sem fundamento, mais um segundo se foi. 
Molhou o seu rosto cansado novamente e o secou com o intuito de que tudo mudasse, mas apenas secou o que havia de secar e continuou. O que ela sentia já não mais a pertencia, não sabia distinguir o mínimo do macro e com que intensidade os seus atos nessa vida influenciavam o universo.

     - Se há um feedback o que seria o meu ser diante dessa micro existência banhado por um sistema confuso do qual eu, tecnicamente, não dito as regras do jogo, nem de grande parte da minha vida?

       Apenas prosseguiu.  

      Foi à cozinha, tomou um café  e refletiu mais um pouco a respeito da sua singela existência e sobre os seus amores passados. - Tudo não passa de um redemoinho, um mar de sonhos. Um exímio misto de realidade e onirismo onde os três tempos brincam interminentemente. Notou que já não havia mais nenhum líquido na xícara.

     Com o intuito de completar a terceira etapa do seu método encontrou algo para usar, qualquer coisa fácil e que combinasse com o seu humor volúvel ou não. Caminhou alguns passos até a sua porta, depois ao seu portão.

      Fechou a si mesma e se foi.




sexta-feira, 1 de maio de 2015

Passarinho - Só p'ra mim




Só o vento lá fora poderá nos dizer
Quantas palavras eu ouço 
Do verbo amar ao não entender

Canta seus sons e passa
Passa, passarinho, passa

Canta seus sons e passa
Passa, passarinho, passa

Se o não pode ser o sim
E há o amar infinito dentro de ti

Canta seus sons e passa
Passa, passarinho, passa

Que o tempo gira sem parar
E logo não terá nada p'ra comemorar
O vento lá fora sopra assim
Canta, passarinho, canta sem fim 

(...)

Só p'ra mim.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Amnésia



   Durante muito tempo fiz questão de recordar as coisas do passado (sejam boas, ou ruins) e ficava sempre me sentindo feliz ou triste com tais pensamentos, na maioria das vezes triste. Só que, ultimamente, todo esse meu desejo por memórias anda se dissipando. Talvez seja um reflexo de toda uma preguiça acumulada que me deixou estagnada sem lembranças legais ou, apenas, uma apatia sincera e prudente com relação aos meus dias. 
   Por muito tempo fiquei remoendo certos acontecimentos e tentando decifrar meus erros e os erros das outras pessoas, porém, acho que verdadeiramente liguei o famoso "foda-se" para tudo,... Algo que pode ser bom ou ruim. Eu nunca me importei em agradar as outras pessoas mas, fazia questão de me sentir aceita, acho que todo jovem tem um pouco dessa necessidade. Quem, não?! E me lamuriava demais por pequenas coisas, o que não passava de um misto de imaturidade com insegurança, achava que pequenos comentários eram super ofensivos, ou que eu não era boa o suficiente... Toda essa baboseira.
   Sendo uma pessoa completamente imatura e sem ter uma direção positiva com relação a vida, passei a fazer e a praticar coisas que pudessem me trazer mais discernimento com relação aos pequenos fatos, tais como: ler, buscar humildade, pensar e, finalmente, ouvir conselhos de gente que tecnicamente se preocupa comigo ou, que eu simplesmente achava bacana.  


  Levei uns pequenos tombos nessa jornada e ganhei uma belíssima característica de sempre esperar o pior das coisas e pessoas. Sei que pode ou não acontecer algo bom, porém, estar preparada para as perdas e derrotas ajuda. Confesso que minha vida era um nó geral e eu mesma criava situações embaraçosas, claro que, coisas que eu escutava com menos de 14 anos de adultos e eram absurdas me deixaram tristes por um bom tempo, pois, cria-se toda aquela responsabilidade desses seres para guiar prudentemente os jovens e nem é sempre que isso ocorre... Se tivesse uma máquina para voltar ao passado eu teria chutado muito... Tem gente que merece. 
   Acredito que por uma falta coerente de uma participação tanto maternal, quanto paternal eu me tornei uma adolescente meio boboca e revoltada, coisas que poderiam ser resolvidas com uma conversa nunca aconteciam. Já que conversas nunca ocorreram. A queda que eu considero mais lamentável foi com relação aos meus estudos, pois, era influenciada por problemas pequenos e vivia a maior parte do tempo tentando encaixar peças para pessoas que não precisam de tanta atenção. Hoje vejo essa atitude como uma falta de consciência e autonomia para traçar meus próprios caminhos. Penso que toda essa minha amnésia com relação aos fatos passados veio em uma boa hora para limpar meu sistema e mudar o foco da minha vida fazendo surgir então uma nova concepção de mim mesma como ser humano.



Beijos.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

[Livro] O velho e o Mar, Ernest Hemingway


Editora: Bertrand Brasil
Edição : 1 / 2013
Tradutor : Fernando de Castro Ferro
Páginas:126

SINOPSE

Dando início à renovação da identidade visual das obras de Ernest Hemingway, a Bertrand Brasil relança "O velho e o mar", um dos principais livros de sua carreira. Título mais vendido do autor no Brasil, foi agraciado com o Prêmio Pulitzer, em 1954.Depois de anos na profissão, havia 84 dias que o velho pescador Santiago não apanhava um único peixe. Por isso já diziam se tratar de um salão, ou seja, um azarento da pior espécie. Mas ele possui coragem, acredita em si mesmo, e parte sozinho para alto-mar, munido da certeza de que, desta vez, será bem-sucedido no seu trabalho.Esta é a história de um homem que convive com a solidão, com seus sonhos e pensamentos, sua luta pela sobrevivência e a inabalável confiança na vida. Com um enredo tenso que prende o leitor na ponta da linha, Hemingway escreveu uma das mais belas obras da literatura contemporânea Uma história dotada de profunda mensagem de fé no homem e em sua capacidade de superar as limitações a que a vida o submete.

Aspectos gerais sobre o escritor 


    Considerado por muitos um dos melhores escritores, Ernest Hemingway nasceu em 1899 nos EUA, tendo deixado em sua trajetória um legado muito forte para a literatura, incluindo um prêmio Nobel com o livro desta resenha "O velho e o mar". Ernest participou de guerras, morou em Paris (quando a cidade tinha um estilo de vida barato para os padrões atuais) em um período onde os anseios artísticos eram efervescentes naquela cidade o que levou a conhecer e conviver com figuras como Fitzgerald, Gertrude Stein no período denominado "geração perdida". Sua vida amorosa foi repleta de amores que culminaram em alguns casamentos e diversas mudanças de "ares", pois, ele morou além dos locais citados em Havana e na Espanha. 
  Tendo obras tão notórias serviu de inspiração para outros escritores tais como Gabriel Garcia Márquez que admirava Hemingway por seu estilo conciso e de poucos adjetivos. Porém, aos 61 anos, o autor teve um fim trágico pois sua morte foi através do suicídio, é certo que em inúmeros dos seus textos o tema da morte era bastante presente e sua saúde já não era uma das melhores só que acontecimentos do tipo são sempre inesperados. O velho e o mar foi o seu último livro em vida, no entanto, o autor possui alguns livros póstumos.

Sobre o livro: O Velho e o Mar


    Irei contar brevemente a historia já que pelo fato do livro ser muito pequeno poderia correr o risco de ter inúmeros spoilers, logo, me atentarei para as impressões que esta leitura me proporcionou. Óbvio que cada indivíduo tendo um conceito diferente da vida transforma o olhar para as coisas um tanto distinto, então... Se algum de vocês possuírem outras ideias ou passagens complementares pode contar aqui nos comentários que eu adoraria ver qual foi o efeito da obra em outras pessoas!  
    Tendo por fundo da história uma vila onde a economia é movimentada pela pesca nosso personagem principal, Santiago, um pescador de 85 anos vive na sombra dos seus dias de glória, e estando com azar, pois nunca mais pegou um peixe, outros pescadores o enxergam com revés. Mesmo com toda má sorte há ainda o seu púpilo chamado Manolin que ainda tem grande admiração e o ajuda nas tarefas diárias, porém, como o menino precisa arrecadar dinheiro para a sua família, o seu pai deu preferência para que ele trabalhasse em uma embarcação de sorte e colhesse bons peixes com isso.
    Após tais passagens o velho Santiago resolve dar a sua última cartada e tentar a sorte novamente,... Vai que ela não dá uma mãozinha, não é mesmo?!
    A parte seguinte é a luta e paciência do Santiago com as adversidades que ele encontra em sua saga e o desfecho. O livro nos transmite uma bela mensagem de esforço, perdas, vitórias e que da situação ruim podemos tirar um fruto positivo dela. 
    Com uma abordagem marítima as imagens criadas em minha mente foram surpreendentes, visto que possuindo diversas tonalidades de azul ( o céu e o mar) causa um certo conforto e por mais que a escrita não seja voltada para os adjetivos, tais adjetivos vão surgindo em nossa mente e dando uma característica profunda à obra. 


   Tentei evitar contar o final, porém, para os que já leram, ou para os curiosos, eu achei essa linda animação com tons de aquarela contando história do livro que foi vencedora do Anima Mundi 2000. Espero que vocês gostem!


quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

(re) volta

           

             Faz muito tempo que não tenho tempo para postar algo, não que o mínimo de tempo que se leva para digitar algumas palavras dependa de meses, porém, quando você está focado apenas nisso a situação flui com mais facilidade. E obviamente que pela minha nata falta de organização acabei tendo pouco tempo tanto para o blog, quanto para prováveis momentos inspiradores para postar algo que eu considere legal... Tendo em vista que meus posts são bem rápidos e eu sempre procuro o "mínimo do mínimo" para não me atrapalhar, nem o "mínimo do mínimo" existiu.
            Apesar de poucas pessoas aparecerem nesse humilde espaço, (rsrs) há uma necessidade de escrever para passar os dias e como eu estou no começo dessas doces férias, voltarei aos escritos e dicas que andam meio enferrujados (as).


Beijos

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Imaginação Marítima


Setenta metros de profundidade 
De um azul beirando a escuridão
Onde não há mistério sobre as estrelas

Em uma cidade subaquática assombrada
Criada numa antiga embarcação

Setenta metros de profundidade
Para encontrar um tesouro perdido
Desvendar um mundo quase proibido
Dos seres assustadores sem imaginação






domingo, 4 de agosto de 2013

Dica musical: Koop




   Hoje irei comentar sobre uma banda que me é querida, pois, na sua leveza e mistura de sons trás a nostalgia com toques de modernidade, tal projeto musical chama-se: Koop. 
    Koop é um grupo sueco de jazz eletrônico composto por Magnus Zingmark e Oscar Simonsson. O seu trabalho é basicamente a fusão de diversas músicas, logo, o que se imagina ser uma orquestra super doce são samples, cada sonoridade vem de um lugar diferente. A única coisa que não vem de outras fontes é o vocal, inúmeros artistas já emprestaram suas vozes para o duo. Pelo fato de precisar de uma organização sonora mais detalhada a produção torna-se lenta e novos trabalhos aparecem depois de um bom tempo. 





sexta-feira, 26 de julho de 2013

Quote Literário: Cem Anos de Solidão





Sinopse: Em Cem anos de solidão, Gabriel Garcia Márquez narra a incrível e triste história dos Buendía - a estirpe dos solitários para a qual não será dada uma segunda oportunidade sobre a terra. O livro também pode ser entendido como uma autêntica enciclopédia do imaginário.

Taciturno, silencioso, insensível ao novo sopro de vitalidade que estremecia a casa, o Coronel Aureliano Buendía compreendeu de leve que o segredo de uma boa velhice não é outra coisa senão um pacto honrado com a solidão. Levantava-se às cinco da manhã depois de um sono superficial, tomava na cozinha a sua eterna caneca de café amargo, trancafiava-se o dia inteiro na oficina, e às quatro da tarde passava pelo corredor arrastando um banquinho, sem observar sequer o incêndio da roseiras, nem o brilho da hora, nem a impavidez de Amaranta, cuja melancolia fazia um barulho de marmita perfeitamente audível ao entardecer, e se sentava na porta da rua até que o permitissem os mosquitos. Alguém se atreveu, certa vez, perturbar a sua solidão. 
— Como vai, coronel? — disse ao passar. 
— Aqui firme — ele respondeu. — Esperando o meu enterro passar.

Gabriel García Márquez, Cem anos de Solidão

quarta-feira, 24 de julho de 2013

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Quote - Graciliano Ramos, Vidas Secas








Então porque um sem-vergonha desordeiro se arrelia, bota-se um cabra na cadeia, dá-se pancada nele? Sabia perfeitamente que era assim, acostumara-se a todas as violências, a todas as injustiças. E aos conhecidos que dormiam no tronco e aguentavam o cipó de boi oferecia consolações:


- Tenha paciência. Apanhar do governo não é desfeita.

Mas agora rangia os dentes, soprava. Merecia castigo?

- An !

E por mais que forcejasse, não se convencia de que o soldado amarelo fosse governo. Governo, coisa distante e perfeita, não podia errar.


[Graciliano Ramos, Vidas Secas]





Nota:  
Hey people, 
            A mudança repentina no nome foi ocasionada por existir uma outra página com denominação idêntica . O conteúdo permanecerá com mesma a proposta anterior (literatura, filmes, quotes...). Espero que esse novo título dê a característica única que esse espaço propõe e merece. O que era "Brisa de Palavras" tornou-se "Suspiro de Arte". A nova designação se deve ao fato de que um suspiro pode ter diversos significados, assim como a arte, e cada ser humano carrega uma percepção visual e sensorial única, logo, essa brincadeira com a nomenclatura irá depender do estado que você, meu querido leitor, se encontrará.  
Um abraço,
Suspiro de Arte. 
O lugar onde as ideias procuram ser doces.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Filme : Um Estranho no Ninho




“Não se dão ao trabalho de não falar em voz alta sobre seus ódios secretos quando estou por perto, porque pensam que sou surdo e mudo. Todo mundo pensa isso. Sou suficientemente vivo para enganá-los a esse ponto.”





Sinopse: Randle Patrick McMurphy (Jack Nicholson), um prisioneiro, simula estar insano para não trabalhar e vai para uma instituição para doentes mentais. Lá estimula os internos a se revoltarem contra as rígidas normas impostas pela enfermeira-chefe Ratched (Louise Fletcher), mas não tem idéia do preço que irá pagar por desafiar uma clínica "especializada".



Reflexão da Blogueira


   O filme retrata de forma vívida a maneira como os manicômios nos EUA cuidavam dos seus internos, onde, com técnicas consideradas abomináveis, submetia os pacientes ao uso do eletro-choque, tratamento considerado rudimentar e grotesco, no qual deixa o indivíduo em um estado semelhante ao vegetativo e que não apresenta real benefício. Além dessas críticas, cada personagem do filme transpõe a sua loucura de modo que a personalidade deles chega ao pico das características no quesito loucura. O filme tem cenas hilárias e frases que nos levam a uma análise.
   Acredito que muitos estudantes da área da saúde, principalmente, possam se interessar pela temática. 

terça-feira, 4 de junho de 2013

Carta ao amigo - Roberta Melo




Prezado amigo,



   Era claro que já não havia mais tempo para continuar a sonhar, cantar ou usufruir daquela vida que dantes parecia recheada de surpresas e novidades. Já se passou quase 10 anos desde a primeira vez que dei o primeiro beijo e senti as famosas borboletas na barriga. Sonhos que foram previstos para serem concretizados depois desses mesmos 10 anos,... Noto que nada ou muito pouco restou deles. 

  Essa vida transformada em tonalidades frias e inertes toma conta da atmosfera e o passado, anteriormente visto em tons alegres e com gosto de arco-íris, ficou por lá. As novas descobertas são marcadas pela apatia e tédio, e estes, já não me angustiam da mesma forma de como quando era adolescente. Lembro também de como me tornei tão serena ao encarar os momentos agressivos da vida pública, onde, em momentos de infância, acreditava que aquilo era uma coisa dos adultos e nessa leva de hormônios indo e vindo, percebo que me tornei um e que nada está no meu controle; nem o meu país, nem mundo.

   Mentiras e palavras vazias são esfregadas em nossa vida dia após dia, ano após ano nos transformando exatamente nisso, em robôs. Nem todo livro lido, nem toda aventura desejada e nem as ideias de mudança conseguiram modificar a sociedade. Vejo que isso apenas serviu para construir o meu eu e para tornar tal habilidade, quem sabe, em uma forma gradativa de conseguir dinheiro. Pessoa programada para perder o sorriso, ser pai e ser mãe ao mesmo tempo, induzida a ter uma religião e, posteriormente, a pisar nela diariamente, pois, mesmo querendo construir um céu mais amplo, a vida nos leva a ver e fazer coisas cruéis. 

   Vivemos a comer nossa própria língua, a beber o nosso próprio veneno, a achar comum roubo e a indisciplina, tendo o amoral como direção a ser seguida. Pois é meu amigo, ensinam-nos a ter tudo ou nada, mas, que no final, recebemos a mesma dor, o mesmo medo. 

   O não cumprimento da lei liberou a onda anárquica no mundo político no qual tudo é possível e os pobres, como sempre, ficam longe do sonho e aptos somente para seguir uma doutrina inexistente. 

   Hoje, caminhando na calçada como já fazia em outras tardes, essa nobre personagem desatou em lágrimas.

Atenciosamente, 
A Pessoa

P.S. Lembre-se de entregar jabá ao rei!